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Descubra como são livros clássicos japoneses, sul-africanos e neozelandeses

Clássicos fora do óbvio Share this post
      Ana Souza

No senso comum, a noção de livros clássicos que predomina é, sobretudo, aqueles que dizem respeito ao eixo Europa-América do Norte. Afinal de contas, foram esses livros que ganharam destaque mundial, chegando inclusive a serem adaptados como filmes, minisséries, etc. 

Além desses clássicos conhecidos pelo mundo todo, durante a escola, principalmente no Ensino Médio, também conhecemos bastante sobre os clássicos brasileiros. Essa visão ampla a que temos acesso, ainda que não tão profunda, nos permite entender o tamanho da diversidade literária brasileira. 

Mas, e se eu te dissesse que existe um mundo de livros clássicos que você ainda nem faz ideia que existem? 

Literalmente, um mundo. Já parou para pensar como são os clássicos japoneses, neozelandês, sul-africanos, entre muitos outros? 

Mesmo que a ideia de livros clássicos remeta a obras conhecidas e populares, é bastante comum — e até esperado — que a gente não tenha praticamente nenhum conhecimento sobre o que é uma obra literária considerada clássica para a cultura desses países fora do eixo Norte do mundo. 

Apesar do ditado “um clássico é um clássico” ser verdade, nem todos os livros clássicos são clássicos do mesmo jeito. 

Para exemplificar e compartilhar essa diversidade, trouxemos três obras clássicas geralmente desconhecidas do grande senso comum internacional — mas igualmente incríveis e memoráveis. Confira a lista:

 

Coração, de Natsume Soseki1 – Coração, de Natsume Soseki (Japão – 1914) 

No Japão do início do século XX, ainda mais do que no resto do mundo, tudo que era sólido se desmanchava no ar. Todo esse pano de fundo histórico-sociológico-político-cultural se reflete diretamente na obra de Natsume Soseki, considerado seu melhor intérprete literário.

Este livro, obra final e mais celebrada do autor, pulsa entre vários mundos: o mundo particular dos dois personagens principais e o da sociedade à sua volta; o mundo da cultura tradicional japonesa e o da modernização ocidentalizante; o mundo da política interna japonesa e o da política internacional. É, assim, um romance que capta as fortes pulsações desses mundos distintos e reconstrói o modo como ecoam na vida dos dois personagens, “eu” e “professor” — como que indicando a tensão entre individualismo ocidental e coletivismo oriental, os personagens não têm nome.

 

A festa ao ar livre, de Katherine Mansfield2 – A festa ao ar livre, de Katherine Mansfield (Nova Zelândia – 1922)

A neozelandesa Katherine Mansfield é considerada um dos grandes nomes na arte da narrativa curta na literatura mundial. Muito admirada por seus contemporâneos, como Virginia Woolf e D. H. Lawrence, a autora recebeu, em sua época, reconhecimento do público e da crítica por sua escrita. “Festa ao ar livre” é uma coletânea de quinze contos marcados por temas como as relações sociais, os papéis de gênero na sociedade, o isolamento, a vida e a morte, e revelam o estilo inovador e perspicaz da autora, bem como sua técnica impressionante de narrar situações aparentemente corriqueiras de forma profunda e envolvente, como um mergulho na mente dos personagens.

 

Mhudi, de Sol Plaatje3 – Mhudi, de Sol Plaatje (África do Sul – 1930) 

Escrito pelo político, literato e jornalista sul-africano Sol Plaatje ao longo das décadas de 1910 e 1920, mas publicado somente no ano de 1930, este livro conta a história de amor entre uma refugiada e seu marido enquanto eles vagam pelas paisagens — naturais e sociais — da África do Sul em meados do século XIX, num momento em que o país sofria o impacto de muitas transformações.

Mhudi é o primeiro romance escrito em inglês por um homem negro do continente africano, e tornou-se um dos marcos fundamentais da literatura sul-africana.

 

Para ler essas obras e carimbar ainda mais destinos no seu passaporte literário, temos uma recomendação para você: a trilha Volta ao mundo em 7 clássicos

Essa trilha nasceu com o objetivo de trazer os livros clássicos de um jeito que você nunca viu antes. Por isso, além do box com 7 obras do mundo todo em edição exclusiva — passando pelo Brasil, Estados Unidos, Rússia, Japão, Nova Zelândia, Inglaterra e África do Sul, em épocas e momentos históricos distintos —, teremos um curso desenvolvido em parceria com a Casa do Saber. Ao longo das aulas ministradas por convidadas como Rita Von Hunty, você vai compreender — e redescobrir —  o universo dos clássicos de forma descomplicada e inovadora, indo além do óbvio com obras fora do eixo América do Norte-Europa. 

Já imaginou como deve ser um clássico japonês, sul-africano ou neozelandês? Depois de dar a Volta ao mundo em 7 clássicos, você vai saber!

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