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Entrevista: Trevor Noah, autor de “Nascido do crime”

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Nascido do crime, de Trevor Noah, foi o primeiro livro de 2020 das caixinhas da TAG Inéditos. O ano começou com novidades: agora, os kits vêm com revista e box colecionável.

O livro reúne histórias do autor, apresentador do The Daily Showda infância durante o apartheid na África do Sul até o estrelato. Publicado originalmente em 2016, Nascido do crime foi nomeado um dos melhores livros do ano pelo The New York Times, USA Today, NPR e Booklist. A obra está em adaptação para o cinema e contará com Lupita Nyong’o (12 anos de escravidão, 2013) no papel de Patricia.

Leia na íntegra a entrevista com o autor:

TAG – Como lhe veio a ideia de escrever essas memórias? Você pode nos contar sobre sua experiência ao escrevê-las, se você teve alguma epifania no processo?

Trevor Noah – A ideia de escrever este livro veio, na verdade, de um amigo meu. Ele gostava tanto de ouvir as histórias da minha vida que perguntou por que eu não as colocava no papel, apenas para a posteridade. Aceitei o conselho, e fico feliz de tê-lo feito pois escrever este livro foi uma experiência maravilhosa. Revivi tantos momentos que deixei passarem batidos e, hoje, aprecio muito mais a minha vida. Penso que, às vezes, como pessoas, não tiramos um momento para apreciar o quão longe chegamos, e que escrever um livro é algo que definitivamente ajuda nesse processo.

Tendo vivido já há algum tempo nos Estados Unidos, do que você sente falta na África do Sul?

Sinto falta das pessoas – os idiomas, as culturas, a comida e a linda paisagem. A África do Sul é um país deslumbrante e sempre gostei de viver lá.

Nascido do crime está sendo adaptado para o cinema. Como isso aconteceu? Como você está se sentindo a respeito disso?

Depois que o livro foi lançado, recebi uma ligação de Lupita Nyong’o, que estava no set de Pantera Negra (2018). Ela me disse que queria trabalhar comigo para transformar o livro em um filme. Alguns meses depois, nos reunimos e começamos o processo de adaptação para as telas, um processo que tem sido desafiador e emocionante.

Você afirmou no The Daily Show achar o governo brasileiro algo “fascinante”. Você tem se mantido a par das notícias do país? Como você acha que ele se relaciona ao cenário norte-americano?

Penso que, de muitas maneiras, o Brasil passa pela mesma coisa que muitos países – as pessoas estão fartas de corrupção e das desculpas dos partidos no poder e, agora, escolheram votar em alguém diferente, mesmo que essa pessoa não pareça exatamente a escolha certa. A história da eleição de Bolsonaro é muito similar à de Trump. Ambos entenderam a raiva e a frustração das massas e usaram-nas para inspirar campanhas extremas.

Como você acha que seu trabalho como escritor se relaciona ao seu trabalho de comediante? Você pretende escrever mais livros?

Não acho que os dois estejam tão relacionados. Se tanto, o único entrelaçamento entre minha escrita e minha atuação é o storytelling. Planejo, sim, escrever outro livro, mas não tenho pressa.

Sua mãe é uma parte muito grande da sua vida. Você planeja ter filhos? Qual foi a lição mais valiosa que sua mãe lhe deu sobre a criação de filhos?

Ainda fico balançado quando penso se teria filhos ou não. O que aprendi com minha mãe é que o maior presente que você pode dar a qualquer criança é escolhê-la ativamente!

A estante de Trevor Noah

Minha estante: The beautiful ones, de Prince; Amada, de Toni Morrison; Minha história, de Michelle Obama; Sapiens: uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari e Falando com estranhos, de Malcolm Gladwell.

O primeiro livro que li: Era uma série de manuais do tipo “como fazer”: Como ser um bom amigo. Como ser honesto.

O livro que estou lendo: Falando com estranhos, de Malcolm Gladwell.

O livro que mudou minha vida: A incrível história de Henry Sugar e outros contos, de Roald Dahl.

O livro que eu gostaria de ter escrito: A saga Harry Potter, de J.K. Rowling.

O ultimo livro que me fez chorar: Nenhum.

O último livro que me fez rir: Não me lembro.

O livro que eu dou de presente: Entre o mundo e eu, de Ta-Nehisi Coates.

O livro que eu não consegui terminar: Por que as nações fracassam, de Daron Acemoglu e James Robinson.

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