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Conheça os livros de distopia que inspiraram “O conto da aia”

Margaret Atwood (Fonte da imagem: Pittsburgh Post-Gazette) Share this post

Em 1985, a escritora canadense Margaret Atwood imaginou a democracia norte-americana transformada em um país teocrático e autoritário. Na República de Gilead, os dirigentes estupram as aias, mulheres capazes de procriar, para ficar com seus bebês. Essa é a premissa de O conto da aia, aclamado livro que inspirou o seriado homônimo produzido pelo streaming Hulu e distribuído a partir de 2017. Após quase 35 anos, a distopia ganhou uma sequência: The testaments foi publicada em inglês no dia 10 de setembro de 2019 e venceu o Booker Prize.

Margaret Atwood afirma ter construído O conto da aia após a leitura de distopias que a fisgaram ainda jovem. Enquanto o conceito de utopia remete a um sistema ideal no qual vigora a felicidade e concordância entre seus cidadãos, a distopia, em oposição, apresenta governos ditatoriais que exercem um poder tirânico sobre a sociedade.

Em artigo para o LitHub, Margaret Atwood afirma que, uma vez que uma forma literária o intriga, sempre haverá o desejo secreto de escrever algo do gênero. Descubra alguns dos livros distópicos que inspiraram a autora de O conto da aia:

1 – Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury

John Wyndham, Ray Bradbury e outros escritores em alta durante a década de 1950 foram leituras de formação para Margaret Atwood, então uma grande consumidora de ficção científica e ficção especulativa. Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, Fahrenheit 451 revolucionou a literatura com um texto que condena a opressão anti-intelectual nazista e revela sua apreensão numa sociedade opressiva do mundo pós-guerra. O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme homônimo.

2 – 1984 (1949), de George Orwell

Publicado originalmente em uma edição simples em brochura da qual Margaret Atwood ainda se recorda, o futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX e se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário. Na história, Winston vive aprisionado na engrenagem de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas em que cada pessoa vive sozinha. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel.

3 – Admirável mundo novo (1932), de Aldous Huxley

Ao lado de Fahrenheit 451 1984esse foi um dos livros que despertou o interesse de Margaret Atwood por distopias quando a escritora ainda era adolescente – fascínio que perdurou durante o período de sua graduação em Harvard no início dos anos 1960.  O romance distópico de Aldous Huxley mostra uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual pessoas são programadas em laboratório e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série e a uniformidade. Em Admirável mundo novo, a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo.

4 – A mão esquerda da escuridão (1969), de Ursula K. Le Guin

Lançado há 50 anos, A mão esquerda da escuridão mantém-se até hoje como um dos mais importantes livros de ficção científica já escritos. A partir da história de Genly Ai, humano enviado em missão intergaláctica para persuadir os governantes do planeta Gethen a se unirem a uma comunidade universal, o livro propôs discussões precursoras sobre assuntos polêmicos e atemporais, como gênero, feminismo, alteridade, filosofia e antropologia. Quando sua autora faleceu em 2018, aos 88 anos, Margaret Atwood prestou uma homenagem a Ursula K. Le Guin no Guardian, reconhecendo a norte-americana como uma das grandes escritoras do século XX e apontando sua voz “comprometida, irritada, humorada, sábia e inteligente” como extremamente necessária na atualidade.

5 – Nós (1924), de Ievguêni Zamiátin

Essa é a distopia original que inspirou desde os grandes clássicos já mencionados Fahrenheit 451, 1984 e Admirável mundo novo até sagas mais recentes, como Divergente e Jogos VorazesNós antecipou o conceito do Grande Irmão escrito por George Orwell e teve sua publicação barrada na União Soviética da década de 1920. Nela, o russo Zamiátin concebe um mundo mecanizado e um governo totalitário chamado Estado Único que, supostamente pelo bem da sociedade, priva a população de direitos fundamentais como o livre-arbítrio, a individualidade e a liberdade de expressão. Para Margaret Atwood, um dos destaques da história é como ela toma por literal o termo “liquidar”: na história, as pessoas eliminadas viram líquido.

6 – A revolução dos bichos (1945), de George Orwell

Antes de 1984Margaret Atwood leu A revolução dos bichos e ficou horrorizada. Escrito em plena Segunda Guerra Mundial e publicado depois de ter sido rejeitado por várias editoras, o livro causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista. Segundo a Margaret Atwood, na época, ela não leu a obra como uma alegoria da Rússia Soviética, mas sim como a triste história dos bichos criados por George Orwell. Ao narrar a revolução dos animais de uma granja que se degenera em uma tirania ainda mais opressiva que a dos humanos, o livro é, na verdade, uma fábula sobre o poder.

7 – O senhor dos anéis (1954), de J. R. R. Tolkien

Para Margaret Atwood, quando o assunto é totalitarismo distópico transformado em fantasia, é impossível não mencionar O senhor dos anéis. A obra foi o primeiro grande épico de fantasia moderno, conquistando milhões de leitores e se tornando referência para todas as outras do gênero. Na saga, que se passa após o prelúdio O hobbito poder maligno é representado por Sauron, que deseja escravizar todos os povos da Terra Média. A única maneira de eliminar essa ameaça é destruir o Anel nas entranhas da montanha de fogo onde foi forjado, o que faz com que Frodo e seus companheiros hobbits deixem a segurança do Condado e iniciem uma perigosa jornada rumo ao leste.

Você já leu alguma das distopias que inspiraram Margaret Atwood? Qual delas vai para o topo da sua lista?

3 comments

Adriana de Godoy 7 de outubro de 2019 Responder

Já li muitas da lista acima. Mas de todas, a que amo profundamente, é O Senhor dos Aneis!!! Que livro!!! Inesquecível <3 sou apaixonada!

Wadna Juliana Vieira de Moura 7 de outubro de 2019 Responder

Tenho todas essas distopias.

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