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A amizade de Llosa e García Márquez acabou de forma violenta. Você sabe como?

Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa Share this post

Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa têm muitas coisas em comum. Ambos são importantes nomes da literatura latino-americana, laureados com o Prêmio Nobel, se destacaram no período chamado “boom latino-americano”, nas décadas de 1960 e 1970, e tinham, na juventude, ideais políticos alinhados à esquerda.

Eles se conheceram na Venezuela, em 1967, e se tornaram grandes amigos. O peruano Llosa e sua esposa, Patricia, eram muito próximos ao casal colombiano Gabriel García Márquez e Mercedes Barcha. Eles frequentavam as casas um do outro, e Llosa, em meio às crises em seu casamento, contava com o casal de amigos para fazer confidências.

Até que, em fevereiro de 1976, a relação acabou de forma violenta. Por razões nunca esclarecidas, antes do início de uma sessão privada de cinema, os escritores se encontraram e Llosa desferiu um soco no autor do clássico Cem anos de solidão, deixando-o com um olho roxo e uma ferida no nariz. O golpe encerrou a amizade de quase 10 anos.

Gabriel García Márquez dois dias após o ocorrido. Foto: Rodrigo Moya

A partir daí, criou-se um mito de inimizade antológica em torno das duas figuras. Na época, García Márquez foi evasivo ao creditar o fim da amizade às diferenças já insolúveis entre ambos à medida que Llosa passou a incorporar, a partir da década de 1970, cada vez mais ideais políticos de direita e contrastantes com os seus.

Um comentário da esposa do colombiano, porém, daria uma pista diferente: segundo Rodrigo Moya, fotógrafo amigo de García Márquez que registrou o hematoma resultante da agressão, Mercedes teria dito “Mario é um ciumento estúpido” pouco depois do soco levado pelo marido. Logo surgiram boatos sobre um possível envolvimento do nome de Patricia no caso. García Márquez teria falado demais e contado a ela sobre uma infidelidade de Llosa, possivelmente sugerindo uma separação entre os dois, o que deixou o peruano gravemente ofendido. Mas tudo não passa de especulação.

Apesar de cortarem relações após o ocorrido, os dois escritores selaram um pacto de silêncio de cavalheiros e não voltaram a comentar o caso. García Márquez cumpriu a promessa até a data de sua morte, em 2014, e, ao que tudo indica, Llosa fará o mesmo. Apesar do triste fim da amizade, ele não deixou de lamentar o falecimento do antigo companheiro, demonstrando admiração ao grande escritor que ele foi e garantindo que seus livros sobreviverão ao tempo. Infelizmente, o abraço de reconciliação entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez  jamais aconteceu. Para seus leitores, entretanto, os dois seguem sendo grandes mestres da literatura que merecem estar lado a lado na estante.

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