Colunistas / Letícia Wierzchowski / Livros / Coleção 2017 / Uns e outros – Contos espelhados, de vários autores

Uma polifonia

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A TAG está comemorando três anos e eu acho que a festa é de todos nós. Eu me sinto super feliz de fazer parte, de algum modo, desta história tão bonita que certamente tem ainda muitos capítulos a serem escritos e muitas histórias a serem contadas e compartilhadas entre seus assinantes.

Em meio a tamanha crise moral, econômica e política, ver este clube de livros crescer, florescer e se espalhar é, no mínimo, um alívio. Acredito que muita gente gosta de ler, que todo mundo gosta de ganhar presentes, e receber um livro em casa é sim um presente que se desdobra pelos dias de um mês inteiro – dependendo da voracidade de cada leitor.

Então, temos aqui este livro especial, editado exclusivamente pros assinantes TAG. São dez contos que viram vinte – uma polifonia, uma conversa entre passado e presente, entre vozes brasileiras e estrangeiras, entre norte e sul, vozes que se cruzam formando uma música nova – assim como a TAG talvez seja a novidade mais democrática da literatura dos últimos tempos, unindo leitores de todos os lados, com vidas, gostos e histórias variadas; pois os leitores da TAG interagem em encontros, em grupos de whatsapp, aqui no blog, no facebook, na parada do ônibus e na fila do cinema. Os leitores da TAG (eu vejo isso muito nas palestras que dou, nos cursos que ministro) se reconhecem como torcedores de um time, só que todos torcem pelo time das boas narrativas.

O livro deste mês nos traz vinte histórias. De Tolstói a Eliane Brum, de Clarice Lispector a Hemingway, de Machado de Assis a Assis Brasil, numa aventura com muitas esquinas, espantos e algumas surpresas (fui gostando mais do livro à medida em que minha leitura avançava, e acho que José Luís Peixoto e Ana Maria Gonçalves foram os que mais me impressionaram neste jogo de reinventar grandes contos, criando dois contos que me bateram fundo, como um soco, como um tapa, como uma nota que ficou reverberando dentro de mim, ao mesmo tempo que dialogavam maravilhosamente com as duas histórias originais).

Este livro foi uma aventura totalmente nova (como a TAG é uma aventura tão linda que chega a ser melódica), foi também uma leitura musical – e aqui me lembro de um trechinho de um poema da Sophia de Mello Breyner Andresen e me atrevo a dizer que a leitura foi “como música passando pelas veias”.

Não sei bem por que o livro me deixou assim, com esta impressão musical, talvez porque seja um livro polifônico em vários níveis, um livro de vozes em coro, às vezes sussurrante, entorpecedor, noutras agudo e dissonante. Só sei que essa sensação de música ecoando permaneceu pelos dias em que a leitura de Uns e outros me acompanhou, e ainda está aqui, tocando em alguma tecla misteriosa da minha alma.

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