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Como Harry Potter formou uma geração inteira de leitores

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O número de exemplares vendidos dos livros da série Harry Potter, de autoria da britânica J. K. Rowling, não deixa dúvidas sobre o sucesso absoluto da saga: só o primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, já vendeu mais de 100 milhões de unidades. Juntando-se todos sete romances, a soma ultrapassa os 400 milhões. Lançadas ao longo de 10 anos, entre 1997 e 2007, as aventuras de um jovem bruxo e seus amigos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts encantaram uma geração inteira.

Os livros da série Harry Potter foram os primeiros que a estudante de Administração Marina Brancher leu, aos 7 anos, depois dos gibis e histórias infantis. Graças à saga, ela devorou livros juvenis enquanto era adolescente, até que, ao entrar no Ensino Médio, o hábito de leitura se perdeu. Ela o reencontrou poucos anos depois, quando fazia cursinho pré-vestibular, mais uma vez através das histórias do bruxinho: “Comprei as edições em inglês de Harry Potter e reli os livros por indicação de um professor, que comentou que eles eram diferentes na língua original. Foi a partir disso que voltei a ler e, logo que entrei na faculdade, comecei a me interessar pelos clássicos, que hoje são um dos meus gêneros favoritos, ao lado da fantasia e da ficção contemporânea”, conta Marina, de 22 anos.

Felipe Kampf, de 24 anos, também tem como lembrança marcante o fato dos sete volumes de Harry Potter terem sido os primeiros livros grandes que encarou, começando aos 11 anos. Partindo de Hogwarts, ele nunca mais parou de ler e, hoje, estuda Letras com ênfase em Língua Inglesa. Em função do curso, apaixonou-se pela Literatura Brasileira e, além de continuar fascinado por sagas de fantasia, cita O cortiço, de Aluísio Azevedo, Dom Casmurro, de Machado de Assis, e O centauro no jardim, de Moacyr Scliar, como alguns dos seus livros favoritos.

Já para a professora de Literatura e Redação Larissa Roldão, de 22 anos, Harry Potter significou o marco de, ainda muito jovem, ver a leitura como uma atividade prazerosa. “Era diferente ser uma adolescente lendo livros enormes quando a maioria das pessoas não gostava de ler. Foi muito simbólico, nessa idade, buscar uma leitura densa e longa por vontade própria”, diz ela.

Ilustração: Mary GrandPré / Art Insights Gallery

Para esses três jovens, assim como para muitos outros, crescer junto a Harry e seus amigos foi uma importante porta de entrada para o universo dos livros em uma idade fundamental para que o gosto pela leitura não se perca. Segundo a professora Jane Naujorks, do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), normalmente, as crianças de até 10 anos apreciam ler e ouvir histórias. Após, porém, a manutenção desse gosto passa a correr riscos. “Parece que, quando as crianças entram na escola, esse prazer se dissipa”, diz ela.

Jane acredita que, nessa fase, o hábito de leitura deve ser constante, o que explica por que, para uma geração inteira, foi fundamental o contato com uma obra que acompanhou o crescimento de seus leitores. A série se passa dos 11 aos 17 anos de Harry e, a cada livro, o protagonista e seus companheiros amadurecem à medida que a trama da história fica mais complexa.

Para muitas crianças e adolescentes em idade escolar, entretanto, ler ainda é sinônimo de obrigação. A esse respeito, a professora Jane opina: “Livros como Harry Potter deveriam ter espaço na escola, pois a leitura nessa fase deve estar centrada no interesse do aluno. Todo tipo de obra pode formar um leitor. O que ocorre é a desvalorização de certos títulos pela escola, que entende como leitura apenas as chamadas obras ‘clássicas’. A criança deve sempre iniciar com o que lhe dá prazer, não importa a linguagem”. Ela completa: “Para mim, foi uma grande surpresa quando, há cinco anos, recebi alunos leitores de Harry Potter na universidade. Eles eram interessados, tinham gosto pela leitura, eram criativos”.

A saga Harry Potter ganhou os cinemas a partir de 2001

Mas, afinal, o que Harry Potter tem que encanta tantos leitores? O escritor e professor de Literatura da UFRGS Luís Augusto Fisher, em matéria para a Revista Superinteressante, dá algumas pistas: entre outras qualidades, a ambientação da história em uma escola permite identificação imediata, as virtudes ensinadas pelos sete romances são valiosas e a realidade fantástica criada por J.K. Rowling é um prato cheio para o jovem leitor. Felipe concorda com Fisher: “O que encanta em Harry Potter é que é um mundo completamente novo e tudo gira em função desse universo, gerando uma imersão muito forte. Esse é o maior apelo”.

Há quem esteja certo de que a saga sobreviverá ao tempo e continuará encantando gerações. Se depender de Larissa, essa perpetuação está garantida: “Quando meu irmão mais novo fez 12 anos, dei para ele ler o primeiro livro de Harry Potter. Aos 13, já havia terminado os sete volumes. Ver o brilho de interesse nos olhos dele por um livro, ainda mais sendo professora de Literatura, me aquece o coração”, diz ela. Quantos leitores ainda irão nascer graças ao bruxinho Harry Potter?

1 comment

Giovanna 24 de maio de 2018 Responder

Sou fã da saga desde os meus onze anos de idade. Foi com Harry Potter que surgiu meu amor pelos livros, pois foi o primeiro livro que li. Desde então, meu amor por ambos é imensurável! A saga nos ensina valores, acima de tudo, principalmente sobre lealdade, coragem e amizade. J.K Rowling, a autora da saga é uma pessoa incrivelmente brilhante e talentosa, um exemplo de superação e determinação, afinal quem conhece sua história, sabe o quanto foi difícil chegar até aqui.

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