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O Nobel de Literatura exilado e seu livro sobre o horror do Gulag soviético

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A partir da década de 1930, funcionou na União Soviética o Gulag, sistema de campos de trabalhos forçados que tornou-se um dos símbolos do governo de Stalin. Neles, foram aprisionadas milhões de pessoas, entre elas criminosos, presos políticos ou qualquer um que fizesse oposição ao regime da época. As condições de trabalho nos gulags eram penosas: fome, frio e carga excessiva de trabalho não eram raros. O escritor russo Alexander Soljenítsin, nascido em 1918 e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1970, dedicou-se a retratar a vida nesses lugares. Acusado de fazer propaganda anti-soviética, em 1945, ele foi preso e condenado a 8 anos de trabalhos forçados.

O primeiro livro lançado pelo escritor, Um dia na vida de Ivan Denisovich (1962), já havia sido uma das primeiras críticas diretas ao governo publicadas na União Soviética. Arquipélago gulag, entretanto, escrito clandestinamente ao longo de 9 anos, é a mais influente obra sobre como os campos funcionavam nos tempos de Stalin.

Para escrever Arquipélago gulag, Soljenítsin, além de valer-se de sua experiência nos campos de trabalhos forçados, coletou os testemunhos de mais de 200 outras pessoas que passaram pela mesma experiência. A história retrata, a partir de acontecimentos que só poderiam ser vistos de dentro do cárcere, o horror do Gulag ao acompanhar a vida de um de seus prisioneiros: a viagem até o campo, as dinâmicas de trabalho abusivas, as tentativas de fuga, as rebeliões e os interrogatórios. Soljenítsin dedicou o livro a “todos os que não viveram para contar a história”.

Entre 1965 e 1967, a KGB, organização de serviços secretos da União Soviética, chegou a confiscar rascunhos do autor. Para proteger Arquipélago gulag, então, Soljenítsin trabalhou as várias partes do seu manuscrito em momentos diferentes, dividindo-o e deixando seus pedaços sob a tutela de amigos. Em 1973, ainda residente em seu país de origem, ele conseguiu publicar a primeira edição do livro em Paris, para então alcançar o mundo.

Apenas um ano depois, entretanto, o escritor foi expatriado e permaneceu exilado por 20 anos enquanto o livro circulava de forma ilegal na União Soviética. Três anos após a dissolução desta, Alexander Soljenítsin retornou à Rússia, onde morreu em 2008, aos 89 anos de idade.

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