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O que faz um livro virar clássico?

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        Ana Souza

Para entendermos porque um livro se torna clássico, é preciso que primeiro tenhamos em mente o que é considerado um texto clássico. 

Aqui, definimos clássico como um livro sem prazo de validade: que nunca envelhece e sempre tem o que nos dizer. Logo, não falamos de clássicos no sentido de obras da “alta classe” ou obras tradicionais. 

Falamos de livros que atravessam séculos e fronteiras; e por isso, muito mais do que sobre uma época ou lugar específico, eles falam sobre pessoas. Sobre sentimentos humanos universais. 

Esses livros resistem ao efeito do tempo e continuam a conversar com nosso presente e futuro. Os clássicos compõem o que muitos chamam de “literatura da alma”; trata-se de uma leitura que reconhece nosso íntimo e na qual nós nos reconhecemos. 

Um livro clássico é aquele nos faz refletir sobre nossa humanidade.

Para um livro se tornar um clássico, ele precisa marcar a literatura, nacional ou mundial, de alguma forma. Seja pelo formato, linguagem, narrativa, história, entre outros fatores. Os clássicos lançam novos olhares sobre os livros que lemos e o mundo em que vivemos.

Um livro clássico é um livro considerado exemplar, ou seja, uma obra a servir de inspiração para outras futuras obras literárias. Ao mesmo tempo em que ela reflete os valores de seu tempo, ultrapassa a época em que foi escrita; e por isso, é sempre atual em sua universalidade.

Além disso, vale pontuar também as variações culturais: o que torna um livro clássico no Japão, por exemplo, pode não ser a mesma coisa que caracteriza um clássico brasileiro.

O que faz um livro clássico é, acima de tudo, seu mergulho na natureza humana e o respectivo impacto que ela causa em quem o lê. 

Sabemos que a escrita, sobretudo a ficção, é uma ferramenta poderosa que nos permite conhecer os outros e a nós mesmos. Através da história criada, nos potencializamos em empatia e, ao mesmo tempo, em autoconhecimento. As grandes obras provocam nossa mente, ainda que suas histórias não sejam diretamente ligadas às nossas — elas nos atravessam nessas semelhanças e diferenças.

A literatura, assim como muitas outras expressões artísticas, é uma ferramenta de investigação da alma. Por diversas vezes, a arte foi capaz de nos aproximar de nós mesmos e nos ajudar a seguirmos em frente. Os livros clássicos, por sua vez, têm um importante papel nesse caminho por onde vamos adiante. 

Quais exemplos de livros clássicos encontramos em nosso dia a dia? 

Na literatura nacional, podemos relembrar clássicos que pautam até hoje as principais discussões literárias, como Dom Casmurro de Machado de Assis — e a pulga atrás da orelha que deixa em todos que o leem: Capitu traiu ou não traiu? Hoje, sabemos que isso pouco importa: o valor literário da obra vai muito além da resposta a essa pergunta, mas é interessante imaginar — e presenciar — o quanto um livro pode impactar gerações fazendo com que seu principal mistério perdure por décadas. 

Quando falamos da literatura internacional, podemos citar o Orgulho e Preconceito de Jane Austen, obra de grande sucesso adaptada para o cinema. O filme, muito aclamado pela crítica e também pelo público, bateu recordes de bilheteria e teve sua atriz principal, Keira Knightley, indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Até hoje, após quase 17 anos, é possível ver o filme nas grandes plataformas de streaming e também reprisando algumas (várias) vezes na TV aberta. 

Esses são exemplos do impacto de uma obra clássica: atravessar o tempo pela identificação com os sentimentos humanos. 

Como reconhecer um livro clássico? 

É preciso que tenhamos em mente que os livros clássicos não possuem uma fórmula mágica. Muitas vezes, seu impacto na literatura nem sequer é imediato. Um livro pode, aos poucos, ir se solidificando como uma obra que conquista cada vez mais leitores e marca espaço em salas de aula e exames nacionais de educação, além de ocupar, de forma orgânica, a agenda dos meios de mídia. 

Todo livro clássico é um evento coletivo, por isso, é praticamente impossível identificar uma obra enquanto clássica apenas pela nossa opinião. Ainda que, muitas vezes, quando lemos uma obra e nos encantamos, sabemos que ela marcará não só a gente, mas muitos outros leitores. 

Os dois livros de ficção brasileira mais vendidos em 2021, “Torto Arado” do Itamar Vieira Jr e “Tudo é rio” da Carla Madeira, podem ser considerados futuros clássicos da literatura. Ambos marcaram muitos leitores por onde passaram, principalmente por retratarem recortes sociais diferentes do que é ser brasileiro. São livros bem escritos e envolventes, que além do sucesso editorial, também ganharam espaço na crítica e na mídia. 

Mais do que ler o mundo, um livro se torna clássico quando sua escrita permite que seus leitores também se leiam nela. 

Você gosta de ler livros clássicos? Qual é o seu preferido? Conte para gente nos comentários abaixo! 

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