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Persépolis: um retrato da vida no Irã por Marjane Satrapi

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Em 2009, a população iraniana se rebelou contra os resultados da eleição presidencial.  O movimento ficou conhecido, sobretudo, pelas redes sociais, sendo apelidado de “Revolução do Twitter”. Desde então, o recurso da imagem se impôs como um veículo de contestação e resistência em oposição ao governo. Muitos artistas iranianos vêm produzindo quadrinhos críticos, como Marjane Satrapi, consagrada pela obra HQ Persépolis (2007), vencedora do Prêmio Revelação do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 2001, premiação francesa considerada a mais importante do gênero.

A artista gráfica Marjane Satrapi, autora dessa HQ autobiográfica, nasceu no Irã em 1969 e lançou os quadrinhos em francês, em quarto partes, entre 2000 e 2003 como forma de contar a história de seu país e de sua cultura às pessoas com as quais convivia na Europa. A narrativa começa em 1980, quando Marjane está com 11 anos de idade e a sociedade iraniana lida com as consequências da Revolução Islâmica ocorrida apenas um ano antes, em 1979.

Quando a Revolução que tinha como objetivo a derrubada do Xá obteve sucesso em sua empreitada, entretanto, instaurou-se no país a ditadura islâmica após uma consulta popular que, segundo os pais da protagonista, apresentou resultados muito pouco confiáveis. Na sequência, vem a guerra contra o Iraque, combate para o qual os Estados Unidos passou a fornecer armas para ambos os lados. À sombra desse novo confronto, Teerã vive sob constantes ameaças de bombardeio. Soma-se à tensão militar o medo instaurado pelo Estado em nome da religião, que passou a exercer controle severo às vidas social e pessoal dos iranianos.

De volta ao Irã aos 18 anos, após um período de quatro de estudos na Áustria, o conflito identitário da protagonista é latente: se na Europa Marjane sempre carregou o status de imigrante terceiro-mundista, em sua terra natal já não se sente igual aos conterrâneos por ter adquirido hábitos ocidentais. A dificuldade de se adaptar e as marcas que a guerra deixou nos iranianos dá a tônica das páginas restantes.

Em 2016, Persépolis foi escolhido por Emma Watson como uma das leituras de seu clube do livro. Em entrevista concedida à atriz, Marjane Satrapi explica sua escolha pela tinta preta para a produção da HQ. Segundo a artista, que pontua que nas histórias em quadrinhos a informação visual é tão importante quando a escrita, a opção pelo preto visou o minimalismo como forma de facilitar o ritmo de leitura de uma história na qual havia muito para ser contado. A narrativa, aliás, não se limitou às páginas impressas: em 2008, Persépolis ganhou uma animação dirigida pela autora em conjunto com Vincent Paronnaud.

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