Retratos da Leitura e o papel dos clubes de livro
Nas últimas semanas, a leitura foi pauta em vários espaços de debate na mídia, mas não pelo motivo que gostaríamos. É que a maioria dos brasileiros não lê, conforme revelou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro.
Pela primeira vez na série histórica do levantamento, a proporção de não leitores (53%) superou a de leitores (47%). Foram considerados leitores todos aqueles que leram ao menos um livro, inteiro ou em partes nos três meses anteriores à coleta de dados. Valem obras de qualquer gênero, incluindo didáticas, bíblia e religiosas. Se considerarmos apenas as pessoas que finalizaram a leitura de no mínimo um livro nesse período, o percentual é um tanto mais baixo: 27%. O principal obstáculo para a leitura apontado pelos entrevistados é a falta de tempo. Outras dificuldades como a falta de paciência ou de concentração foram significativamente apontadas pelos participantes da pesquisa.
A importância dos clubes de leitura

Se a notícia está longe de ser boa, esse baque tem movimentado diálogos entre diferentes campos. Uma reação necessária de pensar coletiva e estrategicamente sobre caminhos para reverter esse cenário. A convite de GZH, o fundador e CEO da TAG, Gustavo Lembert, participou de um debate sobre o tema no programa Conversas Cruzadas na última semana. O bate-papo foi conduzido pelo apresentador Leo Saballa Jr. e teve a participação da jornalista Fernanda Pandolfi, do co-fundador da Dublinense, Rodrigo Rosp, e do professor de literatura Fernando Brum. O programa está disponível na íntegra aqui.
Duas questões foram centrais nessa conversa: o cultivo da leitura como um momento de prazer e a importância da mediação da leitura, tanto para a formação de novos leitores quanto para aprofundar a experiência de quem já gosta de ler.
“A gente bate muito nessa tecla de que a leitura tem que ser prazerosa. Depois a gente começa a entender o papel da leitura para outras áreas, inclusive de alteridade, de se colocar no lugar do outro, de expandir senso crítico. Mas tudo isso vem com o passar do tempo. No início as pessoas só precisam gostar.”
Gustavo Lembert, fundador e CEO da TAG
Se o papel da escola e da família é fundamental para promover desde cedo o incentivo à leitura entre crianças e jovens, clubes de leitura como a TAG são caminhos para transformar esse hábito em muito mais do que uma experiência individual. Ler em grupo é uma maneira de conhecer pessoas, se divertir, se conectar com o mundo e entender melhor a vida.
Quer ler mais no ano que vem? Vem pra TAG!
Em 2025, tire o livro da estante e leve o livro pra vida!
A pesquisa Retratos da Leitura 2024
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil entrevistou 5.504 crianças, adultos e idosos em mais de 200 municípios de todos os estados brasileiros. As entrevistas foram feitas presencialmente, a domicílio, com registro das respostas em tablets. O levantamento foi feito pelo Instituto Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria.
Trata-se de uma pesquisa ampla que apresenta um raio-X da relação do brasileiro com o livro, apurando informações sobre hábitos e motivações para a leitura; representações e valorização da leitura; leitura de literatura; preferências sobre livros, gêneros e autores; a leitura em diferentes suportes; o acesso a livros, em papel e digital, envolvendo bibliotecas e os diferentes canais de distribuição e venda; o papel das escolas, das famílias e das bibliotecas na formação de leitores e no desenvolvimento da leitura no Brasil; práticas leitoras e acesso em meio digital e fragmentado, em diferentes materiais e ambientes; a formação de leitores; e a influência para o consumo ou acesso aos livros. A redução na proporção de leitores aconteceu em todos os segmentos pesquisados por faixa etária, gênero, escolaridade, classe, renda e entre estudantes e não estudantes.
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