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Semana da Cultura Nordestina: um apanhado de Jorge Amado

jorge amado , literatura nordestina Share this post

9 estados, 1.558.000 km² e uma infinidade cultural: esses são os principais elementos que compõem a região Nordeste. Muito mais que uma unidade, a região é também pluralidade. Berço de grandes artistas nacionais, os noves estados que fazem parte da região são diferentes entre si e donos de uma grande diversidade cultural. 

A cultura nordestina é influenciada por povos indígenas, africanos e europeus. Músicas, crenças, danças, ritos e literatura popular; são vários os símbolos culturais que fazem do Nordeste uma região com tanto a ensinar ao Brasil e ao mundo, principalmente no que diz respeito à arte popular: feita do povo e para o povo.

Entre os destaques de grandes artistas, temos um grande nome da literatura brasileira: Jorge Amado. Conhecido não só pela literatura, o escritor foi, durante toda sua vida, um grande militante político da vida coletiva. Aliás, para Jorge Amado, sua luta e sua escrita eram quase indissociáveis. A maioria das suas obras costumava retratar o tempo histórico em que vivia e as causas pelas quais lutava.

Para celebrar a Semana Cultural Nordestina, que teve início na segunda (02/08), nós fizemos uma seleção das principais obras de Jorge Amado e separamos para você numa estante especial da Loja TAG.

 

 Gabriela, cravo e canela

O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 1920, a luta pela modernização de Ilhéus, em desenvolvimento graças às exportações do cacau. Com sua sensualidade inocente, Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a lei que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.

Publicado em 1958, o livro logo se tornou um sucesso mundial. Na televisão, a história se transformou em uma das novelas brasileiras mais aclamadas mundo afora.

 

 

 Farda, fardão, camisa de dormir

Em 1940, uma eleição na Academia Brasileira de Letras opõe as forças da cultura ao obscurantismo nazifascista. Ao reconstituir um momento crucial da história brasileira, Jorge Amado expõe com humor e ironia as entranhas das nossas elites.

Quando o Estado Novo de Getúlio Vargas ainda flerta com o eixo nazifascista, a morte súbita e prematura do poeta Antônio Bruno abre uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Quem prontamente se candidata é o coronel Sampaio Pereira, chefe da repressão política do regime e simpatizante do nazismo. Alarmados com a possibilidade de ver um inimigo da cultura ocupar a cadeira do boêmio, sedutor e gaiato Bruno, alguns veteranos acadêmicos articulam a anticandidatura de outro militar, de oposição, o general reformado Waldomiro Moreira. Segue, então, uma memorável e imprevisível campanha eleitoral na Academia.

 

Tocaia grande

Tocaia Grande atravessa décadas acompanhando personagens plenos de vida e verdade. Nesta obra de maturidade e de pleno domínio sobre seus recursos literários, Jorge Amado combina o registro épico ao lírico e ao satírico. Publicada em 1984, a obra descreve o processo de formação de uma cidade nordestina, nascida sob o signo da violência e da disputa de terras, em inícios do século XX.

Depois de liderar uma tocaia contra o oponente de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, onde passa a cultivar cacau. A chegada de comerciantes, prostitutas, tropeiros e ex-escravos ao local dá vida e contornos ao arraial.

Com a prosa leve e bem-humorada de sempre, Jorge Amado relata a união profunda e os laços de afeto que se desenvolvem entre os habitantes de Tocaia Grande, que serão responsáveis pelo crescimento do povoado e por sua resistência à pressão da Igreja e do poder político-econômico para se enquadrar no sistema coronelista.

 

 Agonia da noite

Em Agonia da noite, Jorge Amado retrata ficcionalmente um momento sombrio da história brasileira: o endurecimento do Estado Novo, quando havia um temor real de que o país se alinhasse com as potências fascistas europeias e se tornasse uma ditadura totalitária.

O acontecimento crucial do livro é a greve dos estivadores do porto de Santos, que se recusam a embarcar uma carga de café destinada à Espanha em um navio alemão, como cortesia de Getúlio Vargas a Franco. Em torno desse evento estão os mais diversos personagens, como grevistas, banqueiros, poetas, funcionários públicos corruptos e jovens diplomatas, além de policiais, políticos, jornalistas e militantes comunistas.

Escrevendo no início dos anos 1950, durante o segundo governo do presidente Getúlio Vargas (1951-1954), Jorge Amado tece com maestria essa teia de personagens e situações, com a verve inflamada de quem se opôs frontalmente à ditadura do Estado Novo, mas também com seu humor e lirismo irresistíveis. 

 

A luz no túnel

A luz do túnel apresenta o painel ficcional de um momento muito sombrio, quando republicanos espanhóis perdem a Guerra Civil para Franco, os alemães começam a Segunda Guerra e Getúlio Vargas mostra simpatia por Hitler e Mussolini. Os militantes comunistas, verdadeiros heróis da epopeia de Jorge Amado, são caçados e torturados impiedosamente pelo chefe de polícia Barros, decidido a exterminar o partido. Ao mesmo tempo, nas altas esferas, políticos, banqueiros, empresários e donos de jornais buscam aproveitar-se ao máximo dos tempos confusos que correm.

 

 

 

Capitães da areia

Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas, a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.

Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

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