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Três livros para depois de Nelson Rodrigues

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O casamento é um livro forte. Uma leitura rápida com diálogos bem construídos, porém, para muitos leitores, com cenas difíceis de digerir. A perspicácia de Nelson Rodrigues mora nessa combinação. Para quem ainda está atordoado com o impacto da obra, selecionamos três títulos perfeitos para auxiliar na “digestão” da obra rodriguiana. Livros que exaltam as virtudes da humanidade, em contraste à exposição dos mais brutais sentimentos humanos, que ocorre em O casamento:

1 – Sidarta, de Herman Hesse

A obra, enviada aos associados do clube em junho de 2015, foi escrita pelo autor alemão mais traduzido do século XX. Narra a história de um jovem brâmane, classe sacerdotal hindu, que rompe com a família e aventura-se pelo mundo para escr05ever sua própria história. O leitor acompanha não apenas o longo caminho trilhado pelo personagem, mas também sua maturidade e crescimento intelectual ao longo do tempo.

Carregada de fortes traços autobiográficos, a aventura inquieta do personagem é reflexo do temperamento do próprio autor, que logrou transformar em literatura seus sofrimentos e experiências.

2 – A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Apesar de ser um livro no qual o personagem passa por momentos difíceis, sua leitura nos engrandece, fazendo um convite à introspecção e à reflexão, a partir de certos momentos da trama. A obra narra a história de António Jorge da Silva, um barbeiro de 84 anos que depois de perder a mulher, passa a viver num asilo.

Sozinho, mas sem sucumbir ao pessimismo, Silva se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. Ele, que viveu sob o peso da ditadura salazarista, faz também uma dura revisão de seu passado e de toda uma geração. A máquina de fazer espanhóis foi o segundo livro de ficção mais vendido em Portugal no ano de 2010.

3 – O Físico, de Noah Gordon

Este livro tem sabor especial para nós da TAG. Foi o primeiro enviado pelo clube, em agosto de 2014. Apresenta a história de um jovem inglês que, com a ambição de tornar-se médico durante a Idade Média, tem de percorrer a Europa em direção à Pérsia, sede de uma renomada escola de medicina. Eleito um dos dez títulos mais amados de todos os tempos pelos participantes da Feira do Livro de Madri, apresenta uma riqueza de detalhes impressionante, e prende o leitor do início ao fim, em uma leitura rápida e agradável.

Para Mario Sergio Cortella, curador daquele mês, as principais mensagens extraídas a partir da leitura estão relacionadas ao valor da persistência, à necessidade de humildade em um mundo intercultural e à importância do pensamento mais racionalizado no campo da Medicina.

“Uma obra encantadora, não só por ser bem tecida na linguagem, mas porque traz temas que não podemos secundarizar, como a necessidade de formação sólida, a convivência multicultural e os tropeços e êxitos nas trilhas da vida que recusa a mediocridade.”, disse Cortella.

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