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Underground railroad: o caminho dos escravos rumo à liberdade nos EUA

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The underground railroad: Os caminhos para a liberdade, de Colson Whitehead, foi o livro de abril da TAG Curadoria. Na história, Caesar, escravo recém-chegado a uma plantação de algodão na Geórgia, conta para a jovem Cora sobre uma rota de fuga capaz de tirá-los da tirania de seus senhores. Embora o caminho percorrido pela personagem seja fictício, as cidades por onde ela passou estão ligadas ao que os americanos chamavam de underground railroad.

Colson Whitehead conta que a primeira vez em que a ideia para o livro lhe surgiu foi enquanto finalizava seu segundo romance, John Henry Days (2001), que entrelaça a vida de um jornalista em crise e a história de John Henry, herói negro folclórico que, com seu martelo, abria caminho entre rochas para a instalação de trilhos nos Estados Unidos do final do século XIX. Deitado no sofá, um certo dia, Colson lembrou da infância e da conversa com um professor de colégio sobre a histórica expressão underground railroad – algo como “trilha subterrânea”, imaginada pelo menino de forma literal.

O professor explicou que o termo era usado, na verdade, para designar a rede clandestina de colaboradores abolicionistas que facilitavam o deslocamento de escravos fugitivos ao longo de um sistema de esconderijos e postos de assistência, incluindo trilhas, cavalos, barcos a vapor e trens convencionais. A reminiscência despertou um grande fascínio no escritor: como seria um mundo no qual esses trilhos realmente existissem? A partir daí, teceu o romance The underground railroad: Os caminhos para a liberdade. Os lugares apresentados a seguir foram pontos secretos de fuga dos escravos rumo à liberdade nos Estados Unidos do século XIX.

1. A primeira igreja Batista africana, na Geórgia, era usada como ponto de parada seguro para os escravos em fuga. Tanto as imagens presentes no teto quanto nos buracos do chão eram símbolos de que o espaço era protegido, pois eram desenhados com estampas africanas.

Igreja Batista africana, na Geórgia
Igreja Batista africana, na Geórgia

2. Na Carolina do Sul era possível pegar um barco na costa de Charleston e partir para Nova York. Dentre as diferentes rotas que os escravos realizavam em fuga, algumas delas eram marítimas e nem todas dirigiam-se ao Norte, mas também podiam levá-los ao México e Caribe.

3. Guilford College é uma faculdade localizada na Carolina do Norte, fundada em 1837 por membros quakers, que em sua maioria eram abolicionistas. Acredita-se que uma das árvores do jardim universitário, a de tulipas, era usada como ponto de encontro dos escravos que fugiam por aquela rota.

Guilford College, na Carolina do Norte
Guilford College, na Carolina do Norte

4. A casa de Jacob Burkle, situada em Memphis, Tennessee, serviu como refúgio para escravos que fugiam para o Norte. Embora sua autenticidade ainda seja debatida, a casa esteve muito presente na tradição oral da underground railroad.

Levi Coffin

5. Levi Coffin é considerado o “Presidente da Underground Railroad”. Abolicionista, empresário e praticante da religião quaker, estima-se que ele tenha ajudado cerca de três mil escravos que teriam passado por sua casa e de sua mulher, Catherine White Coffin, em Indiana.

Selo com a figura de Harriet Tubman

6. Harriet Tubman fugiu aos 27 anos, em 1849, e ficou conhecida como “Moisés Americana” por auxiliar centenas de escravos a chegarem no Canadá. Em uma década, estima-se que a militante abolicionista e feminista realizou dezenove viagens para guiar familiares e amigos em direção à liberdade. Em 2020, quando o direito ao voto das mulheres completará 100 anos nos Estados Unidades, Harriet será a primeira mulher negra a figurar na nota de 20 dólares.

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