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Quem é a Paula Hawkins e qual o motivo do seu sucesso?

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Ao ler as obras de Paula Hawkins, a sensação que temos é de que a autora escreveu thrillers durante toda a sua vida. Chama a atenção sua nítida habilidade em construir personagens consistentes e em descrever os paradoxos e as profundas marcas das relações humanas, além da minúcia da escritora ao introduzir detalhes estratégicos que instigam o leitor e desdobram viradas surpreendentes em suas histórias.

Tais virtudes são dignas do extraordinário reconhecimento que Hawkins conquistou nos últimos anos, mas foram desenvolvidas em uma trajetória profissional não exatamente linear. A autora nasceu e cresceu no Zimbábue e migrou para Londres em 1989, aos 17 anos. Influenciada pelo pai, ela estudou Filosofia, Economia e Ciências Políticas na Universidade de Oxford e trabalhou no jornal The Times cobrindo a área de negócios. Após alguns anos trabalhando como freelancer, publicou em 2006 o livro The Money Goddess: the complete makeover, um guia de finanças para mulheres. Em 2009, criou o pseudônimo Amy Silver, com o qual publicou quatro obras de comédia romântica a convite de uma editora. A baixa repercussão dos livros e a frágil situação financeira de Hawkins a levaram a arriscar sua cartada final na literatura em uma transição para o thriller, gênero que ela mesma gostava de ler.

Somos todos gratos por essa última chance que a escritora deu ao ofício e que resultou no lançamento de A garota no trem (2015), um sucesso absoluto de vendas e crítica. A obra alcançou o primeiro lugar da lista de best-sellers do jornal New York Times e permaneceu 100 semanas no ranking, com 23 milhões exemplares vendidos em mais de 50 países. O thriller que lançou Paula Hawkins de uma vez por todas ao topo do mercado editorial foi traduzido para 46 idiomas e adaptado ao cinema em uma mega-produção estrelada por Emily Blunt.

Dois anos mais tarde, a escritora publicou seu segundo livro do gênero: Em águas sombrias (2017) repetiu a impressionante marca de obra mais vendida na lista do New York Times e conquistou também o primeiro lugar entre os best-sellers do jornal Sunday Times, com 4 milhões de cópias vendidas. Os direitos do livro já foram adquiridos pela DreamWorks para ganhar uma adaptação para o cinema.

Ao anunciar o lançamento da sua nova obra, a autora do livro afirmou ter interesse em entender como nos tornamos quem somos. Nas palavras de Hawkins, seu terceiro livro busca “explorar o modo como nenhuma tragédia acontece de forma isolada”.

Londres, um barco, um corpo esfaqueado: o livro que chega à sua casa neste mês de setembro pela TAG Inéditos é um thriller da melhor qualidade. Considerada uma das mestras do suspense contemporâneo, Paula Hawkins traz neste livro um mosaico de personagens complicados e uma história à lá Agatha Christie. Trata-se de um lançamento em primeira mão pela TAG no mesmo mês em que o livro chega às livrarias na Inglaterra!

Sem reduzir seus personagens a algozes, vítimas ou salvadores, a autora nos apresenta suas histórias de vida. Enquanto nos deparamos com as incoerências, a rigidez, a impulsividade e o temperamento difícil de alguns personagens, pouco a pouco são expostos também os graves traumas, inseguranças, frustrações e sofrimentos solitários de cada um deles, derrubando os julgamentos e as pré-concepções do leitor.

Ao chegar à última página de cada obra de Paula Hawkins, fica evidente que as tragédias ali narradas são apenas a ponta do iceberg de problemas sociais maiores, situando a escritora não apenas como uma autora de sucessos de vendas, mas como uma testemunha lúcida de seu tempo, que não abdica de exercer esse papel com sensibilidade e competência.

 

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