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Os 100 melhores livros do século XXI (até agora)

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Você saberia dizer quais foram os melhores livros publicados ao longo das duas primeiras décadas do milênio? Um júri de 84 especialistas foi responsável por fazer essa difícil seleção, publicada no El paísVeja a lista completa e a sinopse de alguns destaques:

1. 2666, Roberto Bolaño

Fiel aos dois principais temas que atravessam toda a obra do autor chileno – violência e literatura -, o livro é composto de cinco romances, interligados por dois dramas centrais: a busca por um autor recluso e uma série de assassinatos na fronteira México-Estados Unidos. A primeira história narra a saga de quatro críticos europeus em busca de Benno von Archimboldi, um escritor alemão recluso do qual não se conhecem fotos. Na segunda, há a agonia de um professor mexicano às voltas com seus problemas existenciais. O terceiro romance conta a história de um jornalista esportivo que acaba se envolvendo com crimes cometidos contra mulheres da cidade de Santa Teresa, no México (ficcionalização de Ciudad Juárez). Na quarta e mais extensa das partes do livro, os crimes de Santa Teresa são narrados com a frieza e o distanciamento próprios da linguagem jornalística das páginas policiais. E finalmente, na quinta história o leitor é conduzido de volta à Segunda Guerra, tornando-se testemunha do passado misterioso de Benno von Archimboldi. Apesar do tamanho monumental – a edição espanhola de 2666 tem mais de mil páginas -, a trama enigmática mantém o leitor em estado de suspensão até as últimas palavras, quando só então o autor oferece a solução que permite compreender o conjunto do livro.

2. Austerlitz, W. G. Sebald

Austerlitz é a história da busca de um homem pela resposta do enigma central de sua vida. Uma criança pequena quando chega à Inglaterra em uma Kindertransport no verão de 1939, Jacques Austerlitz é criado por um Metodista galês e sua esposa e não sabe nada sobre sua família verdadeira. Quando ele é um homem bem mais velho, memórias fugazes retornam a ele e, obedecendo a um instinto que ele compreende apenas vagamente, Austerlitz segue a trilha de volta ao mundo que deixou para trás meio século antes. Lá, diante do vazio no coração da Europa do século XX, ele luta para resgatar sua herança do esquecimento.

3. La belleza del marido, Anne Carson

Este livro inclassificável conta a história de um matrimônio em torno da ideia de Keats “beauty is truth”, beleza é verdade. Ao longo destes 29 “tangos” – um tango, como o matrimônio, é algo que um tem que dançar até o final -, Anne Carson, já considerada um clássico vivo das letras anglófonas, nos introduz na história íntima de um matrimônio que se desmorona. Iluminador, frequentemente brutal, comovente e obscuramente divertido, este livro nos deslumbra com cenas, diálogos e reflexões que se aprofundam na mais velha das preocupações poéticas, o amor, como se fosse a primeira vez que é expresso.

4. A festa do Bode, Mario Vargas Llosa

A festa do Bode é um dos romances mais importantes de Mario Vargas Llosa. Com uma pesquisa histórica rigorosa e uma preocupação flaubertiana pelos detalhes, ele recria uma República Dominicana de meados do século XX para recontar a história do general Rafael Leonidas Trujillo Molina – o “Bode” – e a implacável ditadura que implantou no país durante seus 31 anos de governo. Ao entrelaçar três histórias – a volta de Urania a Santo Domingo, após 35 anos, para visitar o pai doente; o círculo mais próximo a Trujillo, com suas intrigas e execuções; e um grupo de insurgentes que prepara um atentado ao ditador -, Vargas Llosa relata o fim de uma era e discute a natureza insaciável dos regimes totalitários.

5. Reparação, Ian McEwan

Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou.

6. Limonov, Emmanuel Carrère

Polêmico. Esse é o melhor adjetivo para o Eduard Limonov. Nascido na União Soviética durante os anos quarenta, o personagem cresce em meio ao caos: no underground russo, envolve-se com bandidos, militares, escritores. Ao atingir a maioridade, decide fugir desse ambiente, e parte para os EUA em busca de prestígio. Acompanhamos, então, um homem que passa por experiências como poeta, mendigo, político e escritor de sucesso. Uma história quase inverossímil – se não fosse verídica.

7. Seu Rosto Amanhã, Javier Marías

8. Borges, Adolfo Bioy Casares

9. Verão, J. M. Coetzee

10. O ano do pensamento mágico, Joan Didion

11. Minha Luta, Karl Ove Knausgård

12. A estrada, Cormac McCarthy

13. Crematório, Rafael Chirbes

14. Dentes brancos, Zadie Smith

15. Manual da faxineira, Lucia Berlin

Lucia Berlin teve uma vida repleta de eventos e reviravoltas. Aos 32 anos, já havia vivido em diversas cidades e países, passado por três casamentos e trabalhado como professora, telefonista, faxineira e enfermeira para sustentar os quatro filhos. Lutou contra o alcoolismo por anos antes de superar o vício e tornou-se uma aclamada professora universitária em seus últimos anos de vida. Desse vasto repertório pessoal, Berlin tira inspiração para escrever os contos que a consagraram como uma mestre do gênero. Com a bravura de Raymond Carver, o humor de Grace Paley e uma mistura de inteligência e melancolia, Berlin retrata milagres da vida cotidiana, desvendando momentos de graça em lavanderias, clínicas de desintoxicação e residências de classe alta da Bay Area.

16. Zurita, Raúl Zurita

17. Pós-Guerra – Uma História da Europa desde 1945, Tony Judt

18. Soldados de Salamina, Javier Cercas

Um dos romances de maior sucesso na Espanha nas últimas décadas, com mais de meio milhão de exemplares vendidos, Soldados de Salamina, de Javier Cercas, é um romance cifrado, uma reflexão sobre a criação artística, a memória e a história. Conta por meio da interligação engenhosa de pesquisa histórica e ficção, de passado e presente, o momento mais dramático da vida de Rafael Sanches Mazas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Capturado por republicanos no fim do conflito, esse poeta e ideólogo da Falange, partido de sustentação do ditador espanhol Francisco Franco, é levado com dezenas de homens ao pelotão de fuzilamento, mas milagrosamente escapa dos tiros e consegue esconder-se num bosque. Lá, é encontrado por um soldado inimigo que finge não vê-lo e salva sua vida. O ato inexplicável do soldado está no cerne do romance de Cercas. Décadas depois desse encontro intrigante, um jornalista, homônimo do autor, empenha-se em descobrir o que de fato aconteceu naquele momento e conta para isso com a ajuda de personagens reais, como o escritor chileno Roberto Bolaño.

19. O fim do homem soviético, Svetlana Aleksiévitch

O povo russo assistiu com espanto à queda do Império Soviético. A política de abertura do governo Gorbatchóv impôs uma mudança drástica da estrutura social, do cotidiano e, sobretudo, da direção ideológica da população. Em O fim do homem soviético, Svetlana Aleksiévitch examina a vida das pessoas afetadas por essa transformação. Em cada personagem está um pouco da história russa — a mãe cuja filha morreu em um atentado; a antiga funcionária do Partido Comunista que coleciona carteiras abandonadas de ex-filiados; o velho militante que passou dez anos em um campo de trabalhos forçados. O livro traz um painel fantástico de russos de todas as idades que se movem entre a possibilidade de uma vida diferente e a derrocada da sociedade que conhecem.

20. Persépolis, Marjane Satrapi

Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama – e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

21. A lebre com olhos de âmbar, Edmund de Waal

22. O grande, Juan José Saer

23. Não me abandone jamais, Kazuo Ishiguro

24. Anatomia de um instante, Javier Cercas

25. Felicidade demais, Alice Munro

26. Tábula rasa, Steven Pinker

27. Os anos, Annie Ernaux

28. Hurricane season, Fernanda Melchor

29. Sapiens: Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

30. Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

Kafka à beira-mar é um dos romances mais ambiciosos do escritor japonês Haruki Murakami, e uma das mais surpreendentes obras da literatura contemporânea. Centrado na jornada de dois personagens, é um livro imaginativo, com referências que vão do mundo pop japonês às tragédias gregas. Kafka Tamura é um solitário menino de quinze anos que decide fugir da casa do pai para escapar de uma terrível profecia, além de tentar encontrar a mãe e a irmã, que partiram quando ele ainda era criança. Leva poucos pertences numa mochila e não sabe nem ao menos que rumo seguir. Sua rota de fuga irá se cruzar, inevitavelmente, com a de Satoru Nakata, um homem idoso que, após passar por um trauma inexplicável na infância, adquiriu estranhos poderes sobrenaturais. A odisseia desses personagens, tão misteriosa para eles quanto para nós, será pontilhada por provações e descobertas.

31. El nervio óptico, María Gainza

32. Anos de formação: Os diários de Emilio Renzi, Ricardo Piglia

33. O romance luminoso, Mario Levrero

34. Na presença da ausência, Mahmud Darwish

35. Incêndios, Wajdi Mouawad

36. Rápido e devagar: Duas formas de pensar, Daniel Kahneman

37. As correções, Jonathan Franzen

38. O adversário, Emmanuel Carrère

39. A marca humana, Philip Roth

40. Canadá, Richard Ford

41. Elizabeth Costello, J. M. Coetzee

42. Terror e utopia, Karl Schlögel

43. Lectura fácil, Cristina Morales

44. Las Poetas Visitan a Andrea del Sarto, Juana Bignozzi

45. Ordesa, Manuel Vilas

46. Distância de resgate, Samanta Schweblin

47. La Noche de los Tiempos, Antonio Muñoz Molina

48. Teoria King Kong, Virginie Despentes

49. The Blazing World, Siri Husvedt

50. Os testamentos, Margaret Atwood

Em Os testamentos, continuação de O conto da aia, Margaret Atwood responde às perguntas que afligem os leitores há décadas. Mais de quinze anos após os eventos de O conto da aia, o regime teocrático da República de Gilead mantém sua permanência no poder, mas há sinais de que está começando a apodrecer por dentro. Nesse momento crucial, a vida de três mulheres radicalmente diferentes converge, com resultados potencialmente explosivos. Duas cresceram como parte da primeira geração a atingir a maioridade na nova ordem. Os testemunhos dessas duas jovens são acompanhados por uma terceira voz: uma mulher que exerce poder através do acúmulo implacável e do desdobramento de segredos. À medida que Atwood desdobra Os testamentos, ela abre os trabalhos mais íntimos de Gilead, pois cada mulher é forçada a chegar a um acordo com quem ela é e até onde ela irá no que acredita.

Abaixo, aparecem listados os livros que ocuparam as posições de 51 a 100, por ordem alfabética de sobrenome do autor:

51. Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie

52. Diccionario de autores latinoamericanos, César Aira

53. Experience, Martin Amis

54. Pátria, Fernando Aramburu

55. A Worldly Country: New Poems, John Ashbery

56. Fun Home, Alison Bechdel

57. Gênio: os 100 autores mais criativos da história da literatura, Harold Bloom

58. Vida precária, Judith Butler

59. El día del Watusi, Francisco Casavella

60. Reveries of the Wild Woman: Primal Scenes, Hélène Cixous

61. Homem lento, J. M. Coetzee

62. A contraluz, Rachel Cusk

63. A fantástica vida breve de Oscar Wao, Junot Díaz

64. Jamais o fogo nunca, Diamela Eltit

65. El olvido que seremos, Héctor Abad Faciolince

66. Un ángulo me basta, Juan Antonio González Iglesias

67. The Swerve, Stephen Greenblatt

68. O tecido do cosmo, Brian Greene

69. Homo Deus: Uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari

70. Trabajos del reino, Yuri Herrera

71. Submissão, Michel Houellebecq

72. A possibilidade de uma ilha, Michel Houellebecq

73. A doutrina do choque, Naomi Klein

74. La casa de la fuerza, Angélica Liddell

75. Berta Isla, Javier Marías

76. Asterios Polyp, David Mazzucchelli

77. Necropolítica, Achille Mbembe

78. C, Tom McCarthy

79. Aqui, Richard McGuire

80. Tudo o que tenho levo comigo, Herta Müller

81. A fugitiva, Alice Munro

82. Suíte francesa, Irène Némirovsky

83. Faithless: Tales of Transgression, Joyce Carol Oates

84. Stag’s Leap: Poems, Sharon Olds

85. O Capital no século XXI, Thomas Piketty

86. Un apartamento en Urano, Paul B. Preciado

87. Diccionario sánscrito-español. Mitología, filosofía y yoga, Òscar Pujol

88. Retaguardia roja, Fernando del Rey

89. Complô contra a América, Philip Roth

90. Harry Potter e o enigma do Príncipe, J. K. Rowling

91. A última noite, James Salter

92. Clavícula, Marta Sanz

93. O artífice, Richard Sennett

94. La estupidez, Rafael Spregelburd

95. A poesia do pensamento, George Steiner

96. O Preço da desigualdade, Joseph Stiglitz

97. Os vagantes, Olga Tokarczuk

98. Rien ne s’oppose à la nuit, Delphine de Vigan

99. Pense na lagosta, David Foster Wallace

100. Building Stories, Chris Ware

1 comment

Mauro Dillmann 12 de janeiro de 2020 Responder

Roberto Bolaño é bárbaro e, na minha opinião, realmente merece o primeiro lugar. Agora, o interessante é que Javier Cercar figura com duas obras ! Demais !

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