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Aldous Huxley, Ian McEwan e outros 5 escritores satíricos

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Questionado em 1946 sobre a possibilidade de seus livros terem um propósito satírico, o escritor inglês Evelyn Waugh responde: “Não. A sátira é uma questão de época. Ela floresce em uma sociedade estável e pressupõe padrões morais homogêneos. Destina-se à inconsistência e à hipocrisia. Expõe crueldade e loucura polidas através do exagero. Busca causar vergonha. Tudo isso não tem lugar neste século, onde o vício não se submete mais à virtude”.  Waugh nega a sátira justamente de forma satírica.

A literatura inglesa foi marcada por importantes escritores de expressão irônica. Durante o período entreguerras, diversos autores identificaram-se com a corrente satírica modernista. A mecanização da sociedade, a perda de identidade e o sentimento desesperador de descrença no futuro suscitaram nos escritores a necessidade de representar o impasse e a impotência do período entreguerras através de uma escrita irônica e cômica. O mais notável expoente desta geração foi justamente Evelyn Waugh, sobretudo pelos livros que publicou na década de 30.

Um dos principais títulos dentre os romances distópicos, Admirável mundo novo, foi escrito em 1931 por Aldous Huxley, escritor inglês nascido em 1894. A narrativa acontece após a consolidação do fordismo como sistema de produção industrial e os personagens são divididos em castas controladas pelo poder estatal. O tom satírico reside na perspectiva de que os humanos, tentando ser cada vez melhores e mais inteligentes beneficiando-se do progresso científico, acabam se tornando seus próprios adversários, incompreendidos e infelizes.

Partindo de uma escrita existencial, Samuel Beckett, nascido em 1906, em Dublin, foi escritor, dramaturgo e poeta. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1969, publicou seu primeiro romance, Murphy, em 1938. O livro narra a história de um jovem irlandês que, pressionado por sua noiva a conseguir um emprego, começa a trabalhar em um hospício, onde intensifica o contato com os pacientes em diálogos cômicos e filosóficos. A obra é considerada uma paródia das ideias, em que Beckett satiriza as relações sociais baseadas no senso comum, assim como as estruturas formais do gênero romance.

Expoente do movimento modernista europeu, ao lado de Ezra Pound, T.S. Eliot e James Joyce, Wyndham Lewis foi um pintor e escritor inglês nascido em 1882. Em 1928, publicou The childermass, analisado como uma das obras mais satíricas do período entreguerras. A obra não apresenta enredo principal, mas um estilo de escrita singular, com diálogos desconexos entre os personagens que buscam alcançar a redenção divina, criando uma espécie de limbo moderno.

No que tange à crítica literária, não há uma teoria definitiva sobre a sátira, apenas sua analogia como o “Proteu” da literatura, referindo-se ao personagem presente na obra Odisseia (circa séc. VIII a.C.), de Homero. Nela, Proteus é um “velho do mar” que pode alterar sua forma quando não quer responder a certas perguntas. Nesse sentido, a sátira é um recurso literário que critica e ridiculariza direta ou indiretamente um objeto, alterando sua concepção vigente. Esse mecanismo de escrita influenciou diversos autores contemporâneos que manifestam um humor incômodo e ambivalente, como Kingsley Amis, Ian McEwan e Salman Rushdie.

1 comment

Vilamarc Carnaúba 4 de fevereiro de 2018 Responder

Acho que a revista desse mês foi muito infeliz na caracterização do autor como satírico, induzindo-nos a acreditar que se tratava de uma obra igualmente satírica.
Nesse aspecto a obra decepcionou.
No geral o livro é bom e o estilo melancólicos e saudosista é nem marcado, além do contexto histórico.

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