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O “novo Sul” na literatura

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Tayari Jones, autora do livro de janeiro da TAG Inéditos, carrega raízes da Geórgia, estado norte-americano onde cresceu. A história de Um casamento americano, como outros de seus romances, se passa em Atlanta, sua cidade natal. Em entrevista concedida ao Goodreads, a autora relata que está em uma missão de celebrar a literatura do “novo Sul”, já que muitas pessoas pensam apenas na Guerra Civil quando lembram do sul dos Estados Unidos.

Leia cinco indicações da autora que, assim como o livro enviado em janeiro pelo clube Inéditos, também abordam aspectos atuais do “novo Sul”.

O amigo de infância (Ed. Companhia das Letras, 2004), de Donna Tartt

Em uma cidadezinha do Mississippi, Harriet investiga o misterioso assassinato do seu irmão Robin, ocorrido doze anos atrás, quando ela era apenas um bebê. A protagonista se alia ao amigo Hely na tentativa de solucionar o crime, mas as duas crianças não esperavam se deparar com os negócios obscuros de uma família branca formada por racistas e criminosos que aterrorizam a região.

“A jovem e corajosa Harriet é um dos pilares da Literatura sulista, e a menina é tão esperta e precoce quanto a Scout de O sol é para todos. Este livro é mais sombrio. Algumas pessoas chamam até de “Gótico Sulista”, mas eu chamo apenas de brilhante.” — Tayari Jones

I am not Sidney Poitier (Ed. Graywolf Press, 2009), de Percival Everett

Aos 11 anos, a morte súbita de sua mãe torna o jovem Não Sidney Poitier órfão, deixando-o sozinho com um nome estranho – uma semelhança com um ator de mesmo nome – e com uma considerável quantidade de ações de uma empresa. Neste romance, o leitor acompanha a vida tumultuada e as travessuras de Não Sidney enquanto a sociedade tenta equilibrar sua cor da pele com sua riqueza.

“Este romance é tão engraçado e estranho que só faz sentido no novo Sul. Imagine um menino negro, órfão aos 11 anos, que herda um monte de ações da Turner Broadcasting Company. Há sérios assuntos em jogo aqui a mudança nas hierarquias sociais em um Sul que não está mudando rápido o suficiente. Everett, da Carolina do Sul, conta uma história como se estivesse sentado em uma varanda contando mentiras.” — Tayari Jones

Men we reaped (Ed. Bloomsbury, 2013), de Jesmyn Ward

Em cinco anos, Jesmyn Ward perdeu cinco jovens homens na sua vida: para as drogas, acidentes e suicídio. Ela começou a escrever sobre a experiência de viver entre todas essas mortes como uma forma de lidar com o luto, mas acabou percebendo que as mortes também são um resultado da má sorte e do racismo que acompanham pessoas que vivem na pobreza, principalmente homens negros.

 “Este lindo e triste livro de memórias é uma elegia para os pais, filhos, irmãos e amigos que foram interceptados em seu auge na cidade natal da autora no Mississippi. É impossível ler este emocionante e importante livro e não lamentar tanto potencial perdido. Não é uma leitura fácil, mas é essencial.” — Tayari Jones

A kind of freedom (Ed. Counterpoint, 2017), de Margaret Wilkerson Sexton 

Nascida em uma família negra influente, Evelyn é forçada a escolher entre sua vida de privilégios e o homem que ama, em plena Segunda Guerra Mundial. Em 1982, Jackie, filha de Evelyn, é uma mãe solo que precisa lidar com o vício em drogas de seu marido ausente. T.C, filho de Jackie, por sua vez, adora o processo de plantar marijuana. Esta é uma história familiar sobre o legado da disparidade racial no Sul.

“Família é o foco deste romance multigeracional envolvente, ambientado em Nova Orleans no início da Segunda Guerra Mundial e continuando com a tragédia do furacão Katrina. Sexton deixa as armadilhas turísticas para trás, guiando você pela cidade e sua história como apenas uma nativa consegue.” — Tayari Jones

Dimestore: a writer’s life (Ed. Algonquin Books, 2016), de Lee Smith

Nas montanhas do estado da Virgínia, a infância de Lee Smith era um lugar de mineradores de carvão, cultos cristãos, música da montanha, cinemas drive-in e a lojinha do seu pai. Foi nessa lojinha, ouvindo os clientes, que ela se tornou uma contadora de histórias. A autora nunca deixou o lugar para trás, mesmo quando partiu. Este livro é uma forma de abraçar sua herança e um estilo de vida ainda presente.

“Sou fã dos romances de Lee Smith desde que eu era adolescente, mas este trabalho de não ficção é o meu favorito. O Sul da infância de Smith não existe mais; a lojinha do título foi substituída por um Walmart. Este livro de memórias é pungente sem ser excessivamente sentimental, e, como em todos os seus livros, a voz de Lee Smith é clara como água e mergulhada na linguagem e na tradição da região dos Apalaches.” — Tayari Jones

 

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