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10 livros para conhecer a literatura indígena

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Quando se fala da pauta antirracista, felizmente vemos muitas referências ao movimento negro. E apesar de este ser um avanço necessário e extremamente celebrável, é preciso lembrar que a pauta não se encerra aí, sobretudo vivendo no Brasil, terra de povos originários: terra indígena.

Sendo a cultura indígena extremamente marcada principalmente pela oralidade, os livros são uma forma escrita e mais acessível que as pessoas não-indígenas têm de acessar as narrativas que contam sobre outro modo de ser e estar na terra.

Para facilitar essa jornada, montamos uma lista com 10 livros para você conhecer de perto a literatura indígena. Lendo obras de autoria indígena, além do acesso a outras narrativas que fogem do padrão branco e europeu, você terá mais oportunidades de entender urgências da luta indígena e contribuir ainda mais para a luta antirracista.

 

O filho da ditadura

A obra escrita pelo Cacique Juvenal Payayá nos conta sobre uma geração de jovens, filhos de militares com mães fora do casamento – inclusive com prisioneiras do próprio regime. O autor se utiliza de suas vivências para mostrar, através da sua escrita, o quanto o período ditatorial foi cruel com os povos indígenas e camponeses. A obra também busca expor os ativistas silenciosos, homens e mulheres anônimas que a história oculta.

 

 

 

Ideias para adiar o fim do mundo

Nesta obra, Ailton Krenak, um dos maiores líderes do movimento indígena no Brasil, nos convida a repensar os rumos do antropocentrismo, questionando a ideia de humanidade como algo separado da natureza e do ser humano como centro do universo. O livro é uma reflexão sobre nosso modo de viver atual e foi resultado da adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal.

Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros.

 

Coração na aldeia, pés no mundo

Coração na aldeia é um cordel escrito por Auritha Tabajara, a primeira mulher indígena no Brasil a publicar um livro em formato de cordel, no qual a autora narra sua história em três momentos: primeiro retrata a questão identitária como mulher indígena, depois apresenta a sua jornada nas grandes cidades e a busca pelo reconhecimento como mulher e, por fim, traz a luta contra a violência e o seu entendimento como LGBTQIA+.

 

 

A queda do céu

Um grande xamã e porta-voz dos Yanomami oferece neste livro um relato excepcional, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica.

Publicada originalmente em francês em 2010, na prestigiosa coleção Terre Humaine, esta história traz as meditações do xamã a respeito do contato predador com o homem branco, ameaça constante para seu povo desde os anos 1960. A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras, contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade – foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador.

A vocação de xamã pode ser notada desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo.

 

A flecha de Deus

A aldeia de Umuaro, no interior da Nigéria, é regida pelo sumo sacerdote Ezeulu. Mas nem todos os habitantes da aldeia o apoiam, o que resulta em brigas internas, além dos conflitos com aldeias vizinhas. Um dos filhos de Ezeulu, Oduche, é enviado pelo pai para a igreja do homem branco a fim de conhecer sua religião e proteger a aldeia dos perigos que ela pode trazer. Mas há controvérsias quanto ao envio de um filho ao inimigo. Ezeulu se vê em uma espécie de beco sem saída, tendo de tomar decisões que, por mais bem-intencionadas, podem resultar em desastre para o seu povo.

Enquanto isso, na cidade de Okperi, os colonizadores ingleses preocupam-se em construir estradas e entender como lidar com os colonos da aldeia. É preciso compreender sua língua, adaptar-se ao terrível calor e enfrentar as doenças da região. O capitão Winterbottom e alguns outros poucos colegas ocidentais são responsáveis por essa missão, e sabem que podem cair em feitiços dos sacerdotes e curandeiros da aldeia.

É nessa alternância entre a visão inglesa dos colonizadores e a visão interna da aldeia que se constrói o drama de A flecha de Deus. Conhecendo tanto o lugar dos ingleses como o dos nativos, passamos a ter uma visão muito mais rica e nada maniqueísta do cenário, feito de enormes conflitos e dilemas morais entre o homem branco e o africano.

 

As serpentes que roubaram a noite e outros mitos

Escrito por Daniel Munduruku e ilustrado pelas crianças da aldeia Katõ, As serpentes que roubaram a noite e outros mitos é um livro feito de mitos contados pelos mais velhos da aldeia e que são contadas e recontadas às crianças indígenas como forma de despertar nelas o amor pela própria história e pelas lutas de seu povo. A obra faz parte da “Coleção Memórias Ancestrais”, da editora Peirópolis.

 

 

Olho d’água: o caminho dos sonhos

A obra Olho d’água – o caminho dos sonhos, de Roni Wasiry Guará –, do povo indígena Maraguá, do Baixo Amazonas, é a vencedora do 8º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas. O livro nos fala sobre esperanças, desapontamentos e desejos e o contato com o não-indígena em uma linguagem poética, além de ser uma reflexão sobre liberdade e responsabilidades perante o planeta.

 

 

Catando piolhos, contando histórias

Em Catando piolhos, contando história, o autor, Daniel Munduruku, fala das tradições de seu povo transmitidas pela narrativa oral; sobretudo nos momentos felizes quando, sentado na aldeia, no colo dos mais velhos ou ao pé da fogueira, ouvia histórias enquanto eles catavam piolhos em seus cabelos e lhe faziam carinhos na cabeça. A obra conta oito histórias: algumas são mitos, outras são lendas dos espíritos da floresta e outras são lições de vida ou narrativas de memórias de diversas brincadeiras.

 

 

Ay Kakyri Tama: Eu Moro Na Cidade

Nessa obra, Márcia Wayna Kambeba, da etnia Omágua/Kambeba, poeta e cantora brasileira, constrói uma ponte entre sua origem indígena e a vida em Belém do Pará, apresentando a história de seu povo e sua luta em poesias e imagens repletas de emoção e verdade.

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