Curadores / Matérias

Os detalhes biográficos na obra de Daniel Galera

Daniel Galera Share this post

O escritor e tradutor Daniel Galera, um dos nomes de maior destaque da literatura brasileira contemporânea, conquistou importantes prêmios por sua prosa de ficção, entre eles o Prêmio São Paulo de Literatura e o 3º lugar do Jabuti na categoria Romance, por Barba ensopada de sangue (2012). Várias de suas obras já foram ou estão em processo de serem adaptadas para as telas, como é o caso do filme Prova de coragem (2014), adaptado do livro de Mãos de cavalo (2006) e do filme Cão sem dono (2006), adaptação de Até o dia em que o cão morreu (2003).

É interessante observarmos os pontos de contato entre as vivências de Daniel Galera e detalhes presentes em sua prosa ficcional. Muito distantes da autoficção, essas aproximações refletem, na verdade, o esforço de passar para o papel a visão de mundo do escritor através da narrativa literária.

Dentre seus romances, tanto Até o dia em que o cão morreu quanto Mãos de cavalo se passam em Porto Alegre. Galera, apesar de ter nascido em São Paulo, é filho de gaúchos e passou a maior parte de sua vida na capital do Rio Grande do Sul. Ele também morou nas cidades de São Paulo e Garopaba, em Santa Catarina, onde começou a escrever e ambientou o célebre Barba ensopada de sangue.

Ainda sobre os lugares onde Daniel Galera esteve, no romance Cordilheira (2008), a protagonista, também escritora brasileira, passa uma temporada em Buenos Aires, onde a tradução de um de seus livros está para ser lançada. Galera só conseguiu tomar decisões importantes para dar seguimento à narrativa, como passar da narração em terceira para primeira pessoa, após visitar a cidade onde se passa a ação do livro.

Meia-noite e vinte (2016), seu romance mais recente, porém, é o que mais remete a fatos biográficos do autor. Ambientado em Porto Alegre no início de 2014, o livro retrata o verão sufocante que coincidiu com uma prolongada greve de transportes públicos na capital, em meio, ainda, às manifestações populares que estavam ocorrendo a nível nacional. Tudo começa com a morte do escritor Duque, referência à violência brutal que assola a cidade, a partir da qual três amigos se reencontram. Os quatro personagens haviam se conhecido quando escreviam o zine digital Orangotango, alusão ao Cardosonline, publicação eletrônica na qual Galera escreveu periodicamente de 1998 a 2001. Além de Daniel Galera, participaram do Cardosonline os escritores Clarah Averbuck e Daniel Pellizzari. Em meio ao caos urbano, Meia-noite e vinte traduz a sensação apocalíptica constante que parece estar rondando os dias de hoje, seja através das catástrofes noticiadas, seja em função dos relatos trágicos que surgem em conversas cotidianas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Posts relacionados