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6 escritores imperdíveis da literatura japonesa

"Voragem", de Junichiro Tanizaki "Voragem", de Junichiro Tanizaki Share this post

Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura de 2017, e Haruki Murakami – autor de romances como Kafka à beira-mar e 1Q84 – certamente estão entre os autores japoneses mais conhecidos pelos leitores brasileiros. Mas eles não são os únicos – há um grande número de autores nipônicos que influenciaram e continuam influenciando o mundo literário com obras singulares. Ao contrário de Ishiguro, cujas influências ocidentais dominam boa parte de seus livros – incluindo o idioma escolhido, o inglês –, os escritores aqui apresentados buscaram beber, majoritariamente, das águas de sua milenar cultura.

Como a lista é longa, salientamos aqueles cujas obras estão disponíveis em português. Para além dos nomes citados abaixo, não deixe de ler mais sobre os três escritores japoneses vencedores do prêmio Nobel de Literatura.

Junichiro Tanizaki (1886 – 1965)

Caracterizada por alguns críticos como uma edipiana busca pelo “eterno feminino”, a obra de Junichiro Tanizaki é impregnada de alto grau do proibido e do erótico, com forte inspiração nas relações com as mulheres de sua vida. Além de um exímio contador de histórias, o escritor é lembrado por arquitetar cenários tão fascinantes quanto reprimidos no Japão do início do século passado: narrativas de sexualidade, fetichismo e tabu.

Após permanecer esgotado durante vários anos, seu romance Voragem (1931) ganhou edição exclusiva da TAG em 2018. O livro foi enviado aos assinantes da TAG Curadoria.

Natsume Soseki (1867-1916)

Soseki é o mais citado e estudado autor japonês da literatura moderna: diversos livros e teses acadêmicas já foram dedicados a ele. Para se ter uma ideia de sua relevância, o autor, que ocupa o posto de “autor nacional”, já teve seu rosto impresso nas notas japonesas de mil yens entre 1984 e 2004.

Estudioso da literatura inglesa, Soseki começou a escrever ficção relativamente tarde, com 37 anos de idade, estreando com a sátira Eu sou um gato (1904). Esse momento coincidiu com a volta de uma viagem à Inglaterra, onde não se adaptou e transformou a visão sobre si mesmo e sobre a sociedade japonesa. Assim como a viagem, vida e obra de Soseki são símbolos das dificuldades vividas pelo Japão em ocidentalizar-se e modernizar-se.

Yukio Mishima (1925 – 1970)

Yukio Mishima é considerado, com Yasunari Kawabata, Natsume Soseki e Junichiro Tanizaki, um dos grandes nomes da literatura japonesa moderna. Perfeccionista com a própria obra, era também obcecado pela cultura e comportamento dos samurais, tendo tirado a própria vida em um ritual seppuku, conhecido no ocidente como harakiri.

O primeiro sucesso de Yukio Mishima foi Confissões de uma máscara (1948), romance de teor autobiográfico em que um jovem homossexual precisa se esconder atrás de uma máscara para evitar as cobranças da rígida sociedade japonesa.

Hiromi Kawakami (1958 -)

A obra da escritora contemporânea Hiromi Kawakami compreende livros de não ficção, contos e romances. Sua abordagem empática e realista sobre a vida e os amores de mulheres no Japão contemporâneo, assim como seu estilo incomum – que foge do senso comum ao preterir detalhes do cotidiano e privilegiar ritmos e atmosferas –, agradam tanto ao público como à crítica. Embora boa parte de sua obra tenha sido traduzida para mais de doze idiomas, apenas dois de seus romances foram publicados no Brasil: Quinquilharias Nakano (2005) e A valise do professor (2001), vencedor do prêmio Tanizaki.

Kobo Abe (1924 – 1993)

Frequentemente comparado a Kafka, Kobo Abe, pseudônimo de Kimifusa Abe, foi um dos líderes do vanguardismo japonês. Seu conhecimento da literatura ocidental, do existencialismo, do surrealismo e do marxismo moldaram sua posição em relação à perda de identidade no Japão pós-guerra. Dedicando-se também ao teatro, Kobo Abe tornou-se, na década de 1970, novelista e dramaturgo de forte reputação.

A mulher da areia (1962), A face do outro (1964) e Moetsukita Chizu (1967), algumas de suas principais obras, foram adaptadas pelo cineasta Hiroshi Teshigahara e também se tornaram clássicos cinematográficos.

Banana Yoshimoto (1964 -)

Mahoko Yoshimoto ou Banana Yoshimoto, como ficou mundialmente conhecida, é filha do filósofo e poeta Takaaki Yoshimoto. Utiliza as referências culturais do ocidente em seus romances para falar dos problemas da juventude no Japão moderno e, com Haruki Murakami, foi uma das grandes responsáveis pela divulgação da literatura contemporânea japonesa.

A autora, dona de um minimalismo pop, ainda é pouco conhecida no Brasil. Kitchen, primeiro livro de Yoshimoto, foi lançado originalmente em 1988 e publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, mas atualmente está fora de catálogo.

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